eu continuo escrevendo porque não posso me abrir pra você com os demônios que saem quando escurece, nem as neuroses que eu cultivo em adubo fértil
eu não posso deixar você sentir o cheiro da minha carne assada, podre, inflamada de todas as feridas que o mau tempo e a insolação não ajudam a sarar
“De uns tempos pra cá, tenho acordado no susto. Sempre com a estranha sensação de estar atrasado para um compromisso que não existe. Sempre com aquela angústia desnecessária de estar devendo ao mundo um poema que nunca será escrito.”— Eu me chamo Antônio.
não tenho mágoa. às vezes só me sinto mal pelas coisas terminarem assim, revelando o pior de nós. mas há verdade naquilo que ninguém imagina: aprendi a ir embora quando nem você se conhecia. há monstros superiores a qualquer tentativa falha do amor.
há esse paradoxo dentro de mim, pois eu sinto muito, mas ao mesmo tempo parece que eu não sinto nada.
eu torço para que você esteja sempre disposto a se reinventar feito céu
torço para que você esteja sempre disposto a se colorir de novas cores
e que quando as nuvens ficarem cinzas
que você tenha força para pintar o céu de azul novamente.













